domingo, 17 de agosto de 2008

REVISTA REPORTAGEM DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA PUBLICA ARTIGO SOBRE O NÚCLEO DO CENTRO POPULAR DA MULHER EM PARAÚNA


Informação e apoio contra a violência


Por Maria Scodeler
20 de June de 2008
Núcleo Loanda Cardoso oferece amparo a mulheres da Vila Mutirão



Por volta das 18h o sol se punha e elas começavam a chegar à Escola Abel Lemes na Vila Mutirão. A maioria vinha a pé, outras de carro, outras ainda na garupa da moto dos maridos. Crianças, adolescentes e homens também chegavam para a reunião. Desde agosto de 2007, as mulheres da Vila Mutirão em Paraúna se reúnem todo mês. O núcleo Loanda Cardoso, uma entidade que se destina a amparar as mulheres, conta com o apoio do Centro Popular da Mulher de Goiânia (CPM).

Quase metade da população feminina da cidade é chefe de família, não trabalha fora e sobrevive com meio salário mínimo. O nome do grupo da Vila Mutirão carrega consigo um peso muito forte. Em 1999, Loanda Cardoso foi estuprada e assassinada quando tinha 11 anos. Violentada física e sexualmente dias antes de ser morta, a menina foi enterrada no quintal da casa do agressor, Nelson Ned, que era conhecido da família.

Loanda não fora sua primeira vítima, mulheres e crianças de ambos os sexos também foram violentadas. Nelson passou várias vezes pela delegacia, mas sempre era solto. Após nove anos, o caso ainda é relembrado com tristeza pelas pessoas de Paraúna. Foi o crime que mais chocou a população, a ponto do Fórum, na época, ser quase destruído quando o criminoso estava em julgamento. Hoje, Nelson Ned se encontra preso em Goiânia.

Maria do Carmo de Sousa, mãe de Loanda, é membro do núcleo de mulheres da Vila Mutirão. Foi uma das primeiras a chegar à reunião. Além de Loanda ela ainda tem dois filhos, um deles gêmeo da menina que completaria 21 anos este ano. Pequena, calma, quase imperceptível no meio de tantas, não aparenta ter passado por uma situação tão difícil. Maria do Carmo divide com as outras pessoas sua história. Para ela é um orgulho o Núcleo levar o nome da filha, pois é uma iniciativa que evita que novos casos como esse aconteçam: “Nem com meninas, nem com meninos”.


O Núcleo é até tema de monografia. A prima de Loanda, Eliene Aparecida Cardoso Souza, formada em Administração pela Faculdade de São Luis de Montes Belos, cidade próxima a Paraúna, apresentou como tese de finalização de curso a “Conformação do Núcleo Loanda Cardoso: História da visibilidade das mulheres da Vila Mutirão em Paraúna-GO”. De acordo com o trabalho, a maioria das mulheres da Vila Mutirão cursou até a 4° série do ensino fundamental ou tem o primeiro grau completo. Poucas trabalham fora de casa, porém em 47,56% dos casos são responsáveis pelo sustento da casa e da família. A renda per capita é de 50% do salário mínimo, o que prova a condição das pessoas que ali residem.


O grupo das mulheres da Vila Mutirão se estabeleceu desde o segundo encontro, em setembro de 2007, como entidade de utilidade pública, sem fins lucrativos, apartidária. É amparado pelo CPM e União Brasileira das Mulheres (UBM), mas a coordenação é feita pelas mulheres da Vila, bem como a escolha dos temas que são abordados nas reuniões.

Em um local em que a população é tão pouco amparada por políticas governamentais, pequenas iniciativas fazem a diferença no dia a dia. Na escola Abel Lemes, as mulheres se reúnem nas salas coloridas pelos trabalhos das crianças que ali estudam e discutem problemas em busca de soluções e do resgate da cidadania. A médica Norma Negrete, uma das diretoras do CPM e antiga ginecologista do Posto de Saúde da Vila Mutirão, auxilia as mulheres nas reuniões.

Antônio Evelino dos Santos vai a todas as reuniões com sua esposa, Marta Sales de Oliveira, para ele a Vila Mutirão “tava precisando mesmo” de uma iniciativa como essa. E a moça Altamira Pinheiro de Sá leva os três filhos pequenos junto. Pouco a pouco o número de membros vai aumentando, as mulheres chamam os esposos, filhas e filhos, netas, vizinhas. Afinal “a luta das mulheres é uma luta para beneficiar a todos”, diz Eline Jonas, presidente de todos os Centros Populares do Brasil (107 no total), presente na reunião também.
(...)
Ao final do quinto encontro do ano, o próximo já é agendado, Dona Marta fica responsável por lembrar a data às colegas de grupo. E ela mesma fala sobre urgência do tema que será abordado na próxima ocasião, gravidez precoce. Camisinhas são distribuídas, bem como fôlderes informativos sobre DSTs e sobre a saúde da mulher. As avós chamam as netas para entregar-lhes as camisinhas recém-recebidas.

A proposta do núcleo envolve um trabalho lento de conscientização das mulheres e das famílias, mas mostra a necessidade de mudanças nas estruturas sociais e na forma de pensar.

LEIA A REPORTAGEM NA ÍNTEGRA
http://facunb.locaweb.com.br/revista20081/index.php?option=com_content&task=view&id=39&Itemid=27

Um comentário:

Anônimo disse...

eu vi esta crueldade no tempo eu tinha 14anos e