terça-feira, 26 de outubro de 2010

Como a vida das mulheres está mudando no Brasil


A desigualdade de renda entre mulheres e homens começa a ficar menor no Brasil. Entre 2004 e 2008 houve crescimento de 14,5% nos rendimentos reais femininos e de 12,4% dos masculinos. Mudança decorre principalmente de dois fatores: a política de valorização do salário mínimo e as políticas sociais de transferência de renda. Bolsa Família, o principal programa de transferência de renda para combate à miséria e à pobreza no país tem 53% de mulheres entre os atendidos e 93% das responsáveis preferenciais pelo recebimento do benefício.

No Brasil, a luta política pelos direitos das mulheres e pela igualdade nas relações de gênero impulsionou a adoção de políticas públicas e leis em campos como saúde sexual e reprodutiva, trabalho, direitos políticos e civis e violência sexista. Os direitos de cidadania das mulheres e as condições para seu exercício são questões centrais da democracia, e não apenas questões das mulheres. Há avanços significativos na construção dos direitos civis e políticos das mulheres brasileiras.

O papel dos movimentos feministas foi fundamental nesse percurso. Com sua articulação e mobilização, eles foram decisivos para a elaboração de leis e políticas públicas voltadas a eliminar as desigualdades entre homens e mulheres, no espaço público e privado.

Os primeiros governos eleitos no Brasil após a ditadura e as diretrizes neoliberais impostas nacionalmente atingiram de forma drástica a vida das mulheres brasileiras: desemprego com níveis alarmantes, violência doméstica sem ação governamental, políticas de privatização de serviços que prejudicaram especialmente as mulheres (creches, sistemas de água e luz, saúde).

Em 2003, o presidente Lula criou a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres para desenvolver ações conjuntas com todos os Ministérios e Secretarias Especiais, tendo como desafio a incorporação das especificidades das mulheres nas políticas públicas e o estabelecimento das condições necessárias para a sua plena cidadania. O governo federal se empenhou para promover mais autonomia e mais cidadania para as brasileiras, transformando demandas históricas dos movimentos feministas e de mulheres em políticas públicas, e para mudar o vergonhoso panorama da violência sexista em nosso país

Uma das mais importantes ações foi o destaque dado à promoção da igualdade de gênero, raça e etnia no Plano Plurianual 2008-2011, através do enunciado do seu quarto objetivo estratégico: “Fortalecer a democracia, com igualdade de gênero, raça e etnia, e a cidadania com transparência, diálogo social e garantia dos direitos humanos”.

Implementar políticas que se chocam, cotidianamente, com a cultura dominante não é tarefa fácil e muito menos para ser enfrentada de maneira exclusiva por qualquer das esferas governamentais e de poder. É necessária participação articulada e permanente de todos os atores sociais envolvidos.

O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM), que se encontra em sua segunda versão, é um poderoso instrumento no processo de incorporação da agenda de gênero no âmbito das políticas públicas do governo federal. Através dele, ações relativas ao avanço dos direitos das mulheres foram incorporadas nas políticas e programas desenvolvidos nos diferentes ministérios.

Em 2004, através de um processo inédito de diálogo entre governo e sociedade civil, realizou-se a I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. As suas etapas municipais e estaduais envolveram diretamente mais de 120 mil mulheres em todas as regiões do país. Em 2007, envolvendo 200 mil mulheres em todo o Brasil, realizou-se a II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. O II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres é hoje um instrumento orientador para o enfrentamento às desigualdades entre homens e mulheres no Brasil.

A diversidade que caracteriza as mulheres brasileiras demanda intervenções que considerem as especificidades e necessidades de cada grupo social. Historicamente, a intersecção de características como sexo, raça/etnia, região de origem, orientação sexual, entre outras, contribui para criar situações de maior ou menor vulnerabilidade no acesso aos serviços ofertados pelo Estado e no usufruto dos direitos constitucionalmente assegurados.

Oito anos de mudanças e conquistas para as brasileiras

- Desigualdade de renda entre mulheres e homens começa a ficar menor no Brasil. Entre 2004 e 2008 houve crescimento de 14,5% nos rendimentos reais femininos e de 12,4% dos masculinos. Mudança decorre principalmente de dois fatores: a política de valorização do salário mínimo e as políticas sociais de transferência de renda.

- Bolsa Família, o principal programa de transferência de renda para combate à miséria e à pobreza no país tem 53% de mulheres entre os atendidos e 93% das responsáveis preferenciais pelo recebimento do benefício. Mais poder de decisão na hora de comprar reforça a segurança alimentar das famílias e também a autoestima das mulheres.

- Pedreiras, ceramistas, pintoras, encanadoras, azulejistas, eletricistas são algumas das formações obtidas nos cursos de capacitação do Programa Mulheres Construindo Autonomia na Construção Civil. Desenvolvido pela SPM em parceria com governos municipais e estaduais, tem como meta inicial a formação de 2.670 mulheres em quatro estados (BA, RS, SP e RJ) até 2011. As atividades já começaram. Em junho de 2009, no Rio de Janeiro, 150 mulheres das comunidades do Morro da Formiga, Vila Paciência e Kelson se inscreveram para participar da iniciativa.

- Investimentos em habitação, saneamento e infraestrutura realizados no país nos últimos anos tem impacto direto na melhoria da vida de toda a população do país e beneficia, em particular, as mulheres, que passam a dispor de melhores condições para o desempenho de suas tarefas cotidianas e de mais tempo para cuidar de si mesmas. Na avaliação da SPM, destacam-se neste aspecto os programas de eletrificação, construção de cisternas e de habitação.

- Outras iniciativas com impacto na inclusão social e também na melhoria da qualidade de vida das brasileiras são o Programa Minha Casa, Minha Vida e a expansão do crédito para pessoas que nunca tiveram conta bancária ou acesso aos caixas eletrônicos. Hoje, mais de um terço dos financiamentos habitacionais são destinados às mulheres e elas passam a ser também signatárias de 40% dos contratos de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal.

- O programa Brasil Alfabetizado tem entre seus inscritos, desde 2005, 57% de mulheres. Outra ação importante foi a sanção do Programa Empresa Cidadã, que amplia a licença maternidade para seis meses. Benefício implantado para todas as servidoras federais.

- A violência contra a mulher foi enfrentado pelo governo Lula e encarado como problema de Estado: aprovação da Lei Maria da Penha (13.340/2006), criação do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e implantação do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher Neste ano, o investimento será de mais de um bilhão de reais na Rede Nacional de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência.

- Mais de um milhão de documentos emitidos, em 2.091 mutirões de documentação realizados até 2009. Com documentos, mais de 550 mil mulheres do meio rural passaram a ter acesso às políticas públicas do governo.

- 35.697 contratos de financiamento, representando mais de R$ 247 milhões para mulheres agricultoras de unidades familiares (Pronaf Mulher), entre 2003 e 2008. Avanço de 24,1% para 55,8% no índice de mulheres titulares de lotes da reforma agrária, entre 2003 e 2007. Aumento de 13,6% em 2003 para 23% em 2007 do total de mulheres chefes de família em relação ao total de beneficiários da reforma agrária.

Um governo bom é aquele que se volta para os principais interesses de sua população, globalmente. No caso das mulheres será fundamental manter a continuidade da evolução das conquistas que alcançamos com o governo Lula. E ainda podemos ter o gostinho delicioso de superação do preconceito elegendo uma mulher, Dilma Rousseff, como nossa presidenta.

Fernanda Estima -  Jornalista e militante feminista.


(**) Texto preparado a partir da publicação “Com Todas as Mulheres, Por Todos os Seus Direitos”, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17098

sábado, 16 de outubro de 2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

Michelle Bachelet assume órgão na ONU em defesa da mulher


Nomeada em 14 de setembro para chefiar a ONU Mulher, Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, colocará a nova instituição em ordem de batalha até janeiro de 2011, data a partir da qual a agência começará a funcionar. No mundo das ONGs que militavam há anos pela criação de uma agência “dedicada” às mulheres, poucas nomeações teriam sido recebidas com tal unanimidade.

Nesta entrevista concedida ao Le Monde, Bachelet afirma que suas prioridades serão combater a violência doméstica e sexual, bem como lutar contra as consequências da crise que atinge gravemente as mulheres.

Fazendo isso, ela manifesta sua vontade de não se deixar fechar dentro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), especialmente aqueles que dizem respeito à redução da mortalidade infantil e da mortalidade materna, que acabam de receber um programa de US$ 40 bilhões (R$ 69 bilhões).

Aos 59 anos, Michelle Bachelet, que refletiu longamente sobre esse engajamento no cenário internacional, pretende utilizar toda a notoriedade que lhe vale sua posição de ex-chefe de Estado e de nova secretária-geral adjunta da ONU, que a coloca no topo da hierarquia das Nações Unidas.

Le Monde: Quais serão suas prioridades nos próximos meses?

Michelle Bachelet: Nos próximos três meses, vamos trabalhar para reunir e colocar em sinergia as quatro entidades que compõem a ONU Mulher. Com duas prioridades. A primeira será combater a violência contra as mulheres, um campo que não é coberto pelos ODM. Esse problema atravessa todas as sociedades, sem exceção: 70% das mulheres no mundo sofrem violência doméstica. Nós nos esforçaremos especialmente para reduzir o imenso abismo que existe entre as legislações que protegem as mulheres – existem muitas delas – e sua aplicação, que continua sendo muito fraca. Também quero que a ONU Mulher se envolva na luta contra as mutilações genitais: 3 milhões de mulheres são vítimas delas no continente africano a cada ano. Essa guerra à violência contra as mulheres certamente também inclui o combate ao tráfico de mulheres, ao estupro, que ocorre em grande escala nos países em conflito, como a República Democrática do Congo, por exemplo.

Nossa segunda prioridade será agir sobre as consequências da crise. Atualmente, a distribuição do emprego é muito desigual entre homens e mulheres no mundo. Fora da agricultura, o acesso das mulheres ao emprego é limitado: somente 31% das mulheres trabalham em um outro setor. É uma porcentagem que, além disso, camufla enormes disparidades regionais (20% somente no sul da Ásia e na África). Sem contar que muitas vezes se trata de empregos meio-período e com baixos salários. A crise agravou o problema.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o desemprego entre as mulheres aumentou mais rápido do que entre os homens. Milhões de mulheres estão sem emprego, o que gera uma série de consequências. Quando as mulheres perdem seu emprego, aumenta o índice de abandono escolar, por exemplo. De maneira geral, que se trate de crise financeira, alimentar, energética ou de mudança climática, todas as crises afetam duramente as mulheres.

Le Monde: Seu orçamento de US$ 500 milhões é suficiente?

MB: É um orçamento inicial, e é preciso considerá-lo como tal. É um mínimo, e precisamos de bem mais, mas pediremos aos Estados-membros que aumentem sua participação, que façam um investimento “nas” mulheres.

Le Monde: As ONGs querem que a agência disponha de suas próprias forças em campo. O que a senhora acha disso?
MB: A partir de agora, a Unifem está presente em 80 países. Não é suficiente, e quero ampliar essa presença. Nesse sentido, concordo com as ONGs. Mas quero que o dinheiro vá para as comunidades de mulheres que atuam em campo.

Le Monde: A senhora parecia hesitar em assumir a frente da ONU Mulher...

MB: Não é uma questão de hesitação, mas eu precisava fazer uma escolha. Não é fácil quando você tem mais de 70% de aprovação em seu país! As pessoas temiam que eu fosse abandoná-las, e não quero abandoná-las. Estarei em Nova York, não é tão longe. E vou trabalhar para a causa das mulheres, uma causa que também diz respeito às mulheres do Chile. É um trabalho maravilhoso e fascinante.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CENTRO POPULAR DA MULHER REALIZOU NESSA QUARTA-FEIRA DE ATO PÚBLICO EM COMEMORAÇÃO AOS 4 ANOS DA LEI MARIA DA PENHA

O Centro Popular da Mulher de Goiás promoveu nessa quarta-feira, 01 de setembro, um Ato Público, na praça do Bandeirantes - Goiânia, em comemoração aos 4 anos da Lei Maria da Penha. A atividade, além de comemorar essa grande conquista das mulheres, teve o objetivo de conscientizar e esclarecer as mulheres sobre a Lei, também incentivar a denúncia de violência e maus tratos.

A Lei n. 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, foi decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente Lula em 07 de agosto de 2006, no intuito de proibir a violência doméstica e familiar contra a mulher e aumentando o rigor nas punições. Esta lei é considerada uma das melhores do mundo pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), contudo ainda é preciso avançar na implementação da mesma.

Com a Lei Maria da Penha, os crimes de violência doméstica deixaram de ficar limitados ao registro de um Termo de Ocorrência, sem ouvir testemunhas, e encaminhados aos Juizados Especiais Criminais que, muito frequentemente, condenavam o agressor ao pagamento de cestas básicas.

A luta agora é para que o crie mecanismos eficientes para colocá-la em prática, com a criação e implementação de casas abrigos, delegacias da mulher, juizados especializados e centros de referências, para que a mulher possa ser atendida na integralidade.


A violência contra a mulher ainda é muito grande, por isso é necessário que continuemos divulgando a Lei Maria da Penha e incentivando as mulheres a denunciar todo e qualquer ato de violência, assim como exigir que as denúncias não tombem no esquecimento.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CPM organiza Ato Público em Comemoração aos 4 anos de Sansão da Lei Maria da Penha


O Centro Popular da Mulher de Goiás (CPM/UBM) tem o prazer de convidar você para participar conosco de um Ato Público em Comemoração aos 4 anos de Sansão da Lei Maria da Penha, que se realizará no dia 17/08 (terça-feira) a partir das 8:00hs na Praça do Bandeirante, Goiânia.



Contamos com sua participação, para que junt@s possamos divulgar e dar mais visibilidade a Lei essa grande conquista, a fim de que mais mulheres possam conhecê-la e assim exigir o seu cumprimento.

Não serve ao feminismo tentar nivelar ideologias díspares

Não voto em candidaturas antiaborcionistas e entendo que só merece ser eleito para o Executivo quem respeita a pluralidade de opiniões existente numa sociedade democrática e compreenda que as leis num Estado laico não podem seguir um caminho teocrático. Já escrevi que as eleições presidenciais de 2010 aportam uma novidade: é a primeira vez que a direita lodosa, casquenta, casqueira e intiqueira ficou "sem mel e sem cabaça" e não indicou nomes viáveis à Presidência da República.

Não sumiu do mapa, nem sumirá, a expressão do pensamento conservador, racista e feudal que zanza por aí e faz política; somente se viu obrigada à fragmentação e se imiscuiu nas três candidaturas mais visíveis, Dilma, Marina e Serra, e exerce influências sobre elas. Desconheço candidato(a) que disse que não quer voto esse ou voto aquele, logo a presença conservadora no leque de apoios, a depender da extensão dos acordos eleitoreiros, cerceia candidaturas e até impede avanços discursivos em temas espinhosos, como o aborto. Não significa que mudou de opinião, apenas que é tático e sábio silenciar fazendo política segundo as circunstâncias.

É espantoso que se passe o rodo nivelando Dilma, Marina e Serra como igualmente antiaborcionistas, pois a realidade não respalda. Há inúmeras declarações de Dilma sobre aborto. Tive a pachorra de "googlar" para escarafunchar uma fala da candidata contra o aborto e... nada! Serra e Marina estão roucos de anunciar que são contra por convicção! A que serve alardearmos que são, igualmente, contra a liberdade reprodutiva? É um equívoco monumental de análise política pelo qual pagaremos um preço muito alto, já que sangradora de princípios ideológicos do feminismo.

Exceto Plínio de Arruda Sampaio, do Psol, para quem "as mulheres devem ter o direito de decidir sobre a interrupção da gravidez e a legalização do aborto", não ouviremos promessas sobre descriminalização e legalização do aborto, já que as três candidaturas mais competitivas não têm interesse que o aborto seja tema de campanha, como, aliás, nunca foi no Brasil.

Por que teria de ser, obrigatoriamente, no pós-jogo de "acende, queima, assopra e apaga..." sobre aborto nos dois mandatos de Lula, embora ele tenha dito várias vezes que o governo via o aborto como um problema, também, de saúde pública? "Pero" foi o único presidente do Brasil que verbalizou tal opinião. Todavia, ele quebrou acordos, amarelou e não peitou o Vaticano, não enviando ao Congresso Nacional a proposta de descriminalização elaborada pelo Grupo de Trabalho sobre Aborto, criado pelo seu governo!

Não me enganem que eu não gosto nem aceito! Nivelar as três candidaturas como igualmente desfavoráveis à descriminalização e legalização do aborto é um modo tacanho de esconder o discurso ultraconservador de Serra, já que o de Marina nem conta, pois é religioso. Ele disse: "Considero o aborto uma coisa terrível". E foi além. Declarou que legalizar o aborto equivale a liberar uma carnificina e que "dificultaria o trabalho de prevenção, como no caso da gravidez na adolescência, que é um assunto muito grave. Vai ter gravidez para todo o lado porque (a mulher) vai para o SUS e faz o aborto". É uma declaração irresponsável e contra a universalidade do SUS! Constato, e lamento, que há feministas serristas, e assim mandam o feminismo pras calendas gregas, mas que coloquem palavras de Serra na boca da Dilma é inaceitável para todo o sempre, amém! O que é isso, companheiras?

FÁTIMA OLIVEIRA

Médica - fatimaoliveira@ig.com.br

segunda-feira, 26 de julho de 2010

UBM com Dilma para continuar mudando o Brasil

Nós mulheres brasileiras somos chamadas para novo desafio. Evitar retrocessos e prosseguir mudando o Brasil elegendo Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente da república. Já estivemos presentes em grandes lutas populares em todos os tempos e lugares, ousando sonhar e construir um mundo diferente, verdadeiramente justo e igualitário. Já demos provas no passado de compromisso democrático quando lutamos por liberdades políticas para o povo brasileiro. No presente, queremos também ser protagonistas do esforço para construir um projeto de nação justa, com amplas oportunidades para toda a população.

Somos donas de nossa própria vida, de nosso corpo, de nossas escolhas. Queremos a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Queremos mais saúde, mais educação, mais cultura. Queremos uma vida livre de todas as formas de violência e opressão. Estamos mais vivas, vigilantes e combativas, ainda lutando pelo respeito que merecemos e nos opondo ao velho machismo que insiste em aparecer sob novas formas.

Estamos em alerta e sendo protagonistas de um novo projeto nacional de desenvolvimento, onde haja o devido lugar para a participação feminina nos espaços de poder e decisão.

Para nós, eleger Dilma presidente significa renovar essas esperanças na certeza de que podemos conquistar ainda mais. Com ousadia para inovar e para aprofundar as mudanças no Brasil.

A União Brasileira de Mulheres (UBM) já há algum tempo lançou a campanha “Mulher seu voto não tem preço”, entendendo que o papel da mulher na vida do país é de extrema relevância. As mulheres constituem 52% da população. Além de maioria no eleitorado, ainda temos um maior nível de escolaridade e somos quase a metade da população economicamente ativa do país. Apesar disso, não chegamos a 12% nos cargos de maior nível hierárquico no Parlamento, nos Governos Municipais e Estaduais, nas Secretarias de primeiro escalão do Poder Executivo, no Judiciário, nos Sindicatos e nas Reitorias. Mas, estamos pari passu com os homens na produção da riqueza do país.

Nós mulheres, continuamos a clamar por igualdade social e de gênero, contra qualquer tipo de discriminação de raça, cor, etnia, orientação sexual e de geração.

Apoiamos Dilma porque de seu futuro governo depende a conquista de um Brasil com mais desenvolvimento e soberania com distribuição de renda, socialmente equilibrado e ambientalmente construído, onde nós mulheres continuaremos a luta contra a violência de gênero, exigindo o cumprimento da Lei Maria da Penha, batalhando por mais casas abrigo e centros de referência.

Estamos com Dilma, pelo compromisso assumido publicamente pela diminuição da carga horária de trabalho e com igualdade salarial, pela implantação de equipamentos públicos que desonerem cada vez mais a mulher das estafantes tarefas domésticas.

Votaremos em Dilma, pela sua história em defesa da liberdade, e da possibilidade de continuar avançando nas políticas públicas como a defesa do Sistema Único da Saúde, garantindo a ampliação de uma rede de atendimento digno e eficaz, e o acesso aos serviços com muito respeito ao nosso corpo e às diferentes fases de nossas vidas. Ampliaremos as políticas públicas da Assistência Social, com aumento da inclusão social, do acesso e direito à moradia com investimentos ao desenvolvimento econômico com programas habitacionais.

Com Dilma Presidente teremos a possibilidade da Educação ganhar ainda mais o respeito às diferenças e o combate a qualquer tipo de discriminação e os estereótipos. Teremos escolas e creches de período integral para as crianças brasileiras.

Dilma Presidente é a certeza da defesa e do fortalecimento de instrumentos que combatam a mortalidade materna, com a implantação de Comitês de Prevenção da Morte Materna e a legalização do aborto.

Governaremos com Dilma, pois com mais mulheres no poder teremos mais democracia na cidade e no campo e faremos valer a lei dos direitos iguais, tornando as cidades mais humanas.

A campanha “Mulher, seu voto não tem preço – Com Dilma Presidente pra continuar mudando o Brasil” – entende que as mulheres responderão ao chamado de estarem à frente de mais este desafio. O voto feminino fará diferença para que as mulheres estejam ainda mais na política, com mais poder; ocupando espaço e fazendo a diferença!

Participaremos dos comitês de apoio a Dilma em todos os cantos do país com a certeza de que as mulheres e toda a sociedade continuarão a utopia pela construção de um mundo de igualdade contra toda a opressão!

Por tudo isso e por tudo que virá é que continuaremos firmes, fazendo de 2010 um ano de muitas vitórias para nosso povo e para nossas mulheres.

UBM com Dilma presidente do Brasil!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Centro Popular da Mulher de Goiás, realizando atividades de enfrentamento à Feminização do HIV/Aids

O aumento do número de casos de HIV na população feminina durante a última década é algo preocupante. Os números mostram que a vulnerabilidade da mulher ao vírus do HIV tem crescido de forma alarmante, principalmente entre as mulheres na faixa etária de 15 a 19 anos de idade.

Diante desse fato, autoridades, instituições especializadas e o movimento social organizado têm se juntado para enfrentar a Feminização da epidemia de Aids, por meio de políticas públicas, campanhas e atitudes de conscientização sobre a importância de empoderar as mulheres a fim de que elas possam ser capazes de exigir de seus parceiros o uso do preservativo e também incentivá-las a usar o preservativo feminino como uma arma contra a vulnerabilidade.

Nós do Centro Popular da Mulher de Goiás  temos realizado inúmeras ações de conscientização, de prevenção e promoção de saúde entre as mulheres em todas as faixas etárias. Estamos indo de encontro às adolescentes e jovens, mulheres da periferia, profissionais do sexo, enfim, estamos indo até onde elas estão, nas escolas, nos bairros, nas feiras e nas praças, a fim de mostrar para cada uma a importância de se cuidar, de se prevenir e de se amar.

O vídeo abaixo mostra um pouquinho desse trabalho. Esperamos que você realmente tire uns minutinhos para vê-lo. Caso o tema lhe interessar, você poderá encontrar vários outros vídeos disponíveis no youtube. Obrigada, por nos acompanhar nessa luta!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O ABORTO E O ESTATUTO DO NASCITURO


Enquanto em muitos países o aborto é legalizado e, portanto, as mulheres que decidem fazê-lo o fazem de forma segura, com toda a assistência psicológica e médica que lhe é de direito, no Brasil, o movimento organizado de mulheres tem lutado, anos a fio, para que o aborto deixe de ser crime e para que as mulheres que o fazem tenham direito a viver ao invés de serem condenadas à morte ou à prisão.

Hoje, no Brasil, o aborto é legal em alguns casos: Estupro ou risco de vida para a mãe, mesmo assim, para que uma mulher vítima de estupro tenha acesso a esse “direito” deve passar por uma via crucis que passa pela delegacia de polícia, IML e tribunais de justiça, ficando a mercê de uma decisão judicial que pode ou não ser favorável. Isso sem falar na condenação antecipada da igreja, que se acha soberana e com direito de decidir sobre a vida ou a morte.

Achando que o sofrimento das mulheres pobres, vítimas de todo o tipo de violência e descaso, ainda é pequeno e que o fardo da mulher vítima de estupro - pobre, violentada, carregando no ventre o resultado de uma violação, condenada pela igreja, enfrentando IML e tribunais – ainda é leve, a Comissão de Seguridade Social e Família aprovou um projeto de Lei que cria o Estatuto do Nascituro e muda o texto que garante à mulher o direito realizar aborto em caso de estupro.

Se o projeto virar lei a mulher vítima de estupro não poderá mais abortar. Devo ressaltar que a MULHER POBRE, que é a principal vítima da violência e do descaso da sociedade, não poderá realizar o aborto assistido. A mulher rica, porém, continuará realizando com toda a segurança o aborto – independente se a gravidez é conseqüência de estupro ou não – em clínicas particulares e com médicos capacitados, sem contudo passar por qualquer tipo de condenação moral ou social e sem correr o risco de morrer vítima de hemorragia ou infecção.

Segundo o Ministério da Saúde, a prática de abortos clandestinos em condições de insegurança é responsável pela alta incidência de mortes maternas entre mulheres de idade de 15 a 19 anos. A morte por aborto é a quarta causa de morte entre as mulheres no Brasil, são 70.000 mulheres que morrem a cada ano em consequência de abortos mal realizados.

De onde vêm essas mulheres? Será que são SETENTA MIL mulheres com poder aquisitivo que morrem a cada ano no Brasil por realizarem abortos clandestinos? Quantos casos você conhece de mulheres das classes A e B que morreram vítimas de abortos mal realizados? Será que mulheres com algum poder econômico não fazem aborto?

Claro que mulheres das classes mais favorecidas também realizam abortos, e tem todo o direito e fazê-lo, de decidir sobre o seu corpo, como qualquer mulher. Defendemos que toda mulher, independente se rica ou pobre, tem o direito de decidir. Contudo, sabemos que as mulheres com poder aquisitivo, têm acesso a clínicas particulares e profissionais capacitados, ao contrário das mulheres com menor status sócio-econômico, que realizam abortos em clínicas clandestinas ou utilizando-se de remédios caseiros. Sendo assim, o acesso a serviços de aborto seguro está diretamente relacionado ao maior ou menor poder aquisitivo de quem necessita e busca tais serviços.

Conclusão: são as mulheres pobres, na maioria das vezes, pretas ou pardas, sem instrução e vítimas de todo tipo de violações de Direitos Humanos é que são condenadas a morrer em conseqüência de abortos mal realizados, ou - quando sobrevivem a eles- a serem condenas à prisão, à exclusão ou a carregar para sempre as seqüelas psicológicas e físicas de um ato de extrema violência e injustiça social.

Enquanto se deveria avançar, pensando o aborto como uma questão de saúde pública, como o tem feito muitos países; no Brasil existe pessoas que fazem o país retroceder com concepções retrogradas e de cunho religioso fundamentalista, tal como a deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), responsável pelo texto que propõe a mudança da lei.

O Estatudo do Nascituro ainda não se tornou Lei, para isso é necessário que ele seja aprovado em outras instâncias. Sendo assim, tod@s que acreditam que a mulher, independente da sua condição sócio-econômica, cor ou religião, tem direito à vida e a decidir sobre seu próprio corpo, devemos trabalhar para evitar que o nosso país retroceda em mais esse ponto.


Devemos ter sempre em conta que Estado não pode continuar controlando a vida sexual e reprodutiva das mulheres e que as leis contra o aborto e a sua aplicação discriminatória em relação as mulheres mais pobres perpetuam a discriminação em razão de gênero e de condições socioeconômicas.

Texto de Letícia Érica http://alma-feminina.blogspot.com/

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Centro Popular da Mulher de Goiás organiza evento: Participe e Contribua com a nossa luta.



SE VOCÊ DESEJA CONTRIBUIR COM O CENTRO POPULAR DA MULHER  PARTICIPANDO DESSA DELICIOSA ATIVIDADE LIGUE PARA 81524095 OU PASSE NA NOSSA SEDE : AVENIDA GOIÁS 759 - EDIFÍCIO FLÁVIA.
SUA CONTRIBUÍÇÃO É MUITO IMPORTANTE PARA QUE CONTINUEMOS NOSSA LUTA.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Milton Nascimento em Goiânia: PRESTIGIE!

MINISTÉRIO DA SAÚDE REPUDIA DECLARAÇÃO DE ALEXANDRE GARCIA SOBRE OS PARTOS DE MULHERES SOROPOSITIVAS

Em relação à edição desta sexta-feira (7 de maio) do Boletim "Mais Brasília", com Alexandre Garcia (O ÁUDIO NA ÍNTEGRA), o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde contesta e esclarece as seguintes informações:

1. A infecção pelo HIV não restringe os direitos sexuais nem os direitos reprodutivos dos cidadãos. Como o próprio Alexandre Garcia afirmou na sua coluna, "a saúde é direito de todos e dever do Estado". Não permitir que pessoas que têm HIV/aids tenham filhos é tirar delas o direito à cidadania. Negar isso é violar os direitos humanos fundamentais.

2. É a segunda vez que o jornalista discrimina as pessoas que vivem com HIV/aids em suas declarações. Uma lástima e um retrocesso para o jornalismo brasileiro. A primeira vez pressupõe desinformação, a segunda é uma clara demonstração de preconceito. Com o avanço da terapia antirretroviral no Brasil, há comprovado aumento da sobrevida e melhora significativa na qualidade de vida dos soropositivos. O diagnóstico não é mais uma sentença de morte. Pelo contrário, essas pessoas hoje fazem planos, querem casar e constituir família.

3. A afirmação de que o Ministério da Saúde está estimulando pessoas com HIV a engravidarem é equivocada. A decisão de constituir família é pessoal. No caso das pessoas que vivem com HIV, o Ministério da Saúde deve fornecer informações que possibilitem ao profissional de saúde orientar cada pessoa que deseje ter filhos com as informações mais precisas – sempre embasadas na melhor evidência científica disponível. Países como a Itália e a Inglaterra publicaram, recentemente, recomendações semelhantes. Os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) precisam saber sobre os métodos e riscos envolvidos nessa decisão, pois eles possuem esse direito – se assim desejarem – e já o fazem. Não cabe ao governo interferir no desejo da mulher de ter ou não filhos, mas sim permitir que essas mulheres que querem ser mães tenham seus filhos nas condições mais seguras para elas, para seus parceiros e para seus futuros bebês. Isso não é uma novidade. Em 2008, por exemplo, 3 mil mulheres sabidamente soropositivas engravidaram, comprovando essa realidade. O que se percebe na fala do jornalista é um preconceito descabido e uma desinformação que não condiz com o veículo sério do qual ele é porta-voz.

4. Desde meados da década de 1990, seguindo padrões internacionalmente estabelecidos, o Ministério da Saúde dispõe de um conjunto de diretrizes para prevenção da transmissão vertical do HIV. Essas medidas buscam a promoção dos direitos sexuais e reprodutivos de brasileiros e brasileiras. Estudos nacionais e internacionais comprovam que, quando todas as medidas preventivas são tomadas – uso de medicação antirretroviral durante pré-natal e parto, inibição da lactação e tratamento do bebê por seis semanas – a chance de transmissão do HIV da mãe para o bebê é reduzida para menos de 1%. Ao afirmar que a iniciativa “é uma maluquice”, o jornalista demonstra desconhecer os avanços científicos que reduzem a possibilidade de transmissão do HIV para o filho. O comentarista também deveria saber que o simples fato de “respingar sangue” de uma mulher infectada pelo HIV, durante o parto, não é suficiente para que ocorra transmissão do vírus. O controle da infecção em ambientes hospitalares pressupõe rotinas com precauções universais, não só em relação ao HIV, mas também no que se refere a outras doenças. Além disso, vários artigos científicos sobre o assunto foram publicados recentemente, mostrando a correlação entre transmissibilidade do HIV quando a carga viral é indetectável no sangue, no esperma e nos fluidos vaginais. Tais estudos tornam mais claros os riscos, dependendo da situação clínica de cada indivíduo.

5. Reduzir o número de crianças infectadas pela transmissão vertical, como vem acontecendo no Brasil, tem sido um avanço. O Ministério da Saúde conta com o apoio da emissora para dar à população a informação correta, sem preconceitos, de forma inclusiva, permitindo que essas pessoas exerçam a sua cidadania. Uma declaração discriminatória, como feita pelo jornalista Alexandre Garcia, traz um enorme prejuízo para às pessoas que vivem com HIV/aids.


Atenciosamente,
Mariângela Simão
Diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde

 

Dilma Rousseff e sua posição sobre o aborto

Ao ser questionada sobre o aborto, Dilma afirma que considera o aborto uma violência contra a mulher, no sentido de que, as mulheres da periferia se submetem a todo o tipo de situações para conseguir fazer um aborto.

 Por isso, sua posição em relação ao aborto é de que ele tem que ser tratado como um caso que necessita de uma política de saúde pública específica.

Alguns sites, como a UOL, por exemplo, traz a manchete “Aborto é violência contra a mulher", diz presidenciável petista Dilma Rousseff”, o que pode causar uma ambigüidade de compreensão, levando a entender que ela se posiciona contra a legalização, o que é incorreto.

Em fevereiro deste ano, falando para a revista Época, ela deixa bem claro o seu posicionamento, que pode ser conferido  abaixo.

ÉPOCA – Qual é sua posição sobre o aborto?



Dilma – Nenhuma mulher, feminista ou não, é a favor do aborto. Se você é mulher, consegue imaginar o que o aborto produz numa pessoa, o nível de violência que é. É extremamente distorcida essa questão de falar que fulana ou beltrana é a favor ou contra o aborto. É a favor ou contra o quê? Sou a favor de que haja uma política que trate o aborto como uma questão de saúde pública. As mulheres que não têm acesso a uma clínica particular e moram na periferia tomam uma porção de chá, usam aquelas agulhas de tricô, se submetem a uma violência inimaginável. Por isso, sou a favor de uma política de saúde pública para o aborto."


A intrevista pode ser conferida na íntegra no link abaixo:
http://dilmapresidente.blogspot.com/2010/02/epoca-entrevista-dilma.html

domingo, 2 de maio de 2010

Campanha Ponto Final na Violência contra as Mulheres e Meninas

A Rede Feminista de Saúde está desenvolvendo, desde o início do ano, no Brasil, um inovador projeto, a campanha Ponto Final na Violência contra as Mulheres e Meninas.

 A campanha busca desencadear um processo educativo e cultural através de um conjunto de ações para a prevenção da violência contra mulheres e meninas, propondo uma reflexão diferenciada no seu enfrentamento. A ênfase é para a mudança de comportamento, já que não basta que as mulheres rompam o silêncio.
Segundo o conceito da Campanha, uma estratégia é denunciar e punir, para interromper o ciclo da violência. A outra é atuar para reduzir a aceitação social da violência contra as mulheres e com isto estabelecer novos pactos de convivência, baseados no respeito. Por isto a campanha envolve mulheres, homens e jovens, estudantes, trabalhadores de todas as idades.


Outro aspecto inovador da campanha Ponto Final é a articulação entre os níveis nacional e local. Nos quatro países em que vai se realizar ao mesmo tempo, Brasil, Guatemala, Bolívia e Haiti, serão desenvolvidas ações em comunidades - no Brasil será num bairro chamado Campo da Tuca, uma comunidade da zona leste de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com alto índice de vulnerabilidade social; em âmbito nacional, há uma articulação coordenada pela Rede, Agende, Rede de Homens pela Equidade de Gênero (RHEG) e Coletivo Feminino Plural, cuja tarefa será ampliar a discussão com outras redes, com autoridades nacionais, bem como promover o debate político e teórico.

Esta é uma experiência já foi desenvolvida em vários países da Ásia e África, com o apoio da Oxfam-Novib. No contexto da América Latina e Caribe, a campanha foi repensada pela Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe - RSMLAC, da qual a Rede Feminista integra o Conselho Diretor.

O lançamento nacional e internacional da Campanha será no dia 28 de Maio, dedicado ao Dia Internacional de Ação Pela Saúde da Mulher. Nesse dia serão divulgados importantes dados que relacionam violência de gênero e impactos à saúde integral das mulheres

Fonte: http://www.redesaude.org.br/2010/abril/

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Copa da África 2010: PENALIDADE MÁXIMA PARA ESTUPRADORES - Médica propõe distribuição de camisinhas anti estupro


Indiceelevado de estupros na África do Sul motivou a médica Sonnet Ehlers a propor a distribuição grátis de 30 mil camisinhas “anti-estupros” durante a Copa do Mundo. A ideia da doutora é amenizar o número de ocorrências no país quando cerca de 400 mil turistas estarão acompanhando a competição.
O objeto foi inventado por Ehlers em 2005, com a intenção de reduzir o número de estupros na África do Sul, e se assemelha a uma camisinha feminina. Introduzido na vagina, o Rape-aXe, como é denominado o dispositivo, possui um mecanismo que prende o pênis no momento em que há a penetração.
“Ele é muito cômodo para a mulher, e prende o agressor em caso de estupro. Ele vai sentir uma dor forte, e não poderá se soltar até ir a um hospital, onde ficará provado que ele penetrou a vítima”, disse Ehlers à rádio Netherlands.
O membro do agressor não sofreria nenhuma lesão mais séria, apenas alguns arranhões, mas mesmo assim a camisinha é polêmica. Aqueles que são contrários à sua regulamentação argumentam que o estuprador pode ficar ainda mais violento após ser “preso”, da mesma forma que uma mulher pode usar a camisinha de maneira arbitrária contra um parceiro.

No entanto, a médica afirma que para as mulheres o estupro já é violência e que a vítima, independente do uso da camisinha, potencialmente corre risco de ser morta. Quanto ao uso indevido, ela afirma que há uma remota possibilidade, mas aconselha :  "Não coloque o que lhe pertence, onde não lhe pertence, e você nunca terá problemas".

  Fragmentos extraídos de: http://copadomundo.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/04/16/medica-sul-africana-propoe-distribuicao-de-camisinha-anti-estupro-na-copa.jhtm

quinta-feira, 25 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

VII ENCONTRO ESTADUAL DO CENTRO POPULAR DA MULHER DE GOIÁS


O Centro Popular da Mulher realizou nesse último final de semana seu VII Encontro Estadual, que contou com a participação de um grande número de pessoas, mulheres sobretudo, que vieram de diferentes bairros de Goiânia e cidades do interior como Paraúna. Foi um Encontro cheio de muitas reflexões sobre a condição da mulher, suas conquistas e desafios; uma oportunidade de relembrar os 25 anos de existência da Entidade e sua luta em prol do direito de viver as diferenças com direitos iguais.

Nesse Encontro também foi empossada a nova diretoria do CPM, sendo Ana Carolina Barbosa - advogada,  a nova Presidenta  e Lis Caroline- jornalista, a vice-presidenta.


quinta-feira, 11 de março de 2010

Centro Popular da Mulher de Goiás, 25 anos de Luta




CPM   25   ANOS    NO     CENTENÁRIO   DO    8 DE MARÇO



Tudo começou com a garra e a vontade de algumas mulheres. Mulheres guerreiras, lutadoras, conscientes e politizadas.  Mulheres inconformadas com as desigualdades, indignadas com as injustiças, intolerantes diante da violência e do preconceito.

São vinte e cinco anos cheios de muitas batalhas e conquistas, de muitas lutas e vitórias, de muitas dificuldades e superações. Nesses anos, várias mulheres passaram pelo CPM, trazendo suas contribuições e deixando suas marcas, mas depois se foram, seguir novos rumos e ideais.

Outras mulheres foram se achegando e ficando, pois encontraram no CPM um espaço ideal na luta contra todo tipo de injustiça.

O Centro Popular da Mulher de Goiás tem resistido em meio as adversidades, tem erguido suas bandeiras de lutas, tem conquistado respeito como organização da sociedade civil, graças a vontade dessas mulheres que fizeram e fazem desse espaço, uma arma poderosa contra as desigualdades de gênero e contra todo tipo de violência cometidas contra a mulher.



Companheiras que sabem da importância de levar cultura e conhecimento às excluídas, empoderar as mulheres, proporcionando-lhes formação política, conscientizado-as de seus direitos e potenciais. Enfim, mulheres de diferentes origens, cores, idades, orientação sexual, formação, profissão e partidos políticos, TODAS unidas pelo mesmo desejo: um mundo em que se possa viver as diferenças com direitos iguais.

Dessas muitas mulheres, algumas são, desde início, as principais responsáveis pela existência do Centro Popular da Mulher de Goiás e por sua importante atuação nos diversos segmentos da sociedade goianiense, goiana e brasileira, eu falo de:

ELINE JONAS – Mulher, feminista, socióloga, professora, liderança nacional respeitada por sua atuação nos movimentos de mulheres.





LÚCIA HELENA RINCÓN - Mulher, feminista, historiadora, professora, guerreira, militante incansável pelos direitos da mulher e pela igualdade nas relações de gênero.




RITA APARECIDA – Mulher, feminista, biomédica, companheira, dedicada e comprometida na luta pelo empoderamento e emancipação das mulheres.



MULHERES, tantas outras que também fazem do Centro Popular da Mulher de Goiás uma referência no Movimento Feminista, um lugar de apóio para mulheres vítimas de violência, um espaço de discussão e aprendizado, de democracia e formação, de cultura e lazer, enfim, uma CASA de portas e corações abertos a todas as mulheres, tanto às que necessitam ajuda, quanto às queiram ajudar.




PARABÉNS MULHERES QUE FAZEM PARTE DO CENTRO POPULAR DA MULHER DE GOIÁS NOS SEUS 25 ANOS.

Uma homenagem de Letícia Érica

quarta-feira, 10 de março de 2010

Trabalhos de artista do Ceará são doados a União Brasileira de Mulheres

Arte, interação, questões sobre gênero, emancipação e ações coletivas
 no fazer artístico são elementos recorrentes nos trabalhos de arte do artista do Ceará
 que é um dos fundadores do Coletivo Camaradas.
O trabalho deverá circular o Brasil, através da UBM.

O artista cearense, Alexandre Lucas tem um trabalho de engajamento político e de comprometimento com as causas populares na sua arte. Prova disso é a sua preocupação no seu fazer artístico e o seu desprendimento com a posse de suas obras. Recentemente Lucas doou a União Brasileira de Mulheres – UBM toda a exposição “Ousadas”. O acervo consta de 20 gravuras digitais (infogravura) no tamanho 60cm x 80cm. A exposição Ousadas tem uma proposta de interação com o público. O artista ressalta que é necessário possibilitar e criar condições para que o grande público se sinta parte do fazer artístico. O trabalho reúne ainda fragmentos de textos do movimento feminista de caráter emancipacionista e deverá circular pelos estados brasileiros, através de uma ação da entidade brasileira chamada “Caravana Ousadia”.
A exposição tem um caráter político e visa fazer uma reflexão sobre o papel da mulher na contemporaneidade e evidenciar a importância da luta do movimento feminista enquanto instrumento de emancipação humana.
Para Lucas as obras com a UBM são mais úteis para a discussão sobre gênero. Os trabalhos de produção das obras foram financiados pelo Centro Cultural do Banco do Nordeste e a exposição esteve exposta no período de junho a agosto deste ano no Centro Cultural do Banco, em Sousa-PB.
Alexandre Lucas é um dos fundadores do Coletivo Camaradas, organização que reúne artistas, pesquisadores e pessoas ligadas a arte que tem o intuito de discutir e propor ações artísticas com e para o grande público. O Coletivo tem com base teórica os estudos marxistas sobre arte e estética. Lucas, é pedagogo, arte-educador, poeta, artesão, artista visual, articulador cultural e atua profissionalmente na Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri - URCA , através do Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC.



Coordenadora da União Brasileira de Mulheres, Eline Jonas fala sobre a Caravana Ousadia e do trabalho de Alexandre Lucas


Eline Jonas possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás (1973) e doutorado em Ciencias Politicas e Sociologia - Universidad Complutense de Madrid (2002).

Atualmente é Profª. Titular da Universidade Católica de Goiás, Consultora Ad Hoc da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Goiás, Presidente Conselho Estadual da Mulher - CONEM/ Secretaria de Estado de Políticas P/ Mulheres e Promoção da Igualdade Racial e Suplente do Conselho Nacional de Saude (CNS)/ Ministério da Saúde. Coordenadora Nacional da União Brasileira de Mulheres/UBM. Tem experiência em pesquisa na área de Políticas Públicas, Saúde Coletiva, com ênfase em Saúde da Mulher, atuando principalmente nos seguintes temas: gênero, trabalho, cidadania, direitos humanos, globalização.



Como a senhora vê a doação da exposição Ousadas do artista Alexandre Lucas?

Eline Jonas: Trata-se de uma atitude que demonstra o despreendimento e o forte compromisso social de Alexandre. A União Brasileira de Mulheres/UBM, terá esse precioso acervo para "conversar"/dialogar com as mulheres nos Estados, nos locais/oficinas de discussões ou representações de cenas do cotidiano na perspectiva emancipacionista. Cabe destacar que nos esforçaremos para construir diferentes formas de fazer/estar, principalmente junto aos setores populares e de trabalhador@s que, em geral tem poucas oportunidades de acesso a produção artística em todos os níveis. Participar de iniciativas como esta implica-nos organizar os espaços onde as pessoas se manifestarão, conforme propõe o autor.

São iniciativas como essa que verdadeiramente contribuem para o pensar/o dialogar, numa sociedade fragmentada e com maior desvantagem para as mulheres e negros e despossuidos alargando as estatísticas da exclusão social. Haverá oportunidade das pessoas expressarem de diferentes formas o sentimento despertado frente a obra. Procuraremos ampliar esta divulgação por meio de artigos a serem veiculados pela Revista Presença da Mulher e por outros órgãos de comunicação das cidades brasileiras.

Procuraremos estabelecer uma Rota Cultural emancipacionista em parceria com Instituições Universitárias, salas publicas de exposição e divulgação nos meios para oportunizar as pessoas a traduzirem em palavras, frases o sentimento despertado pelos traços e cores da obra, naquilo que ela lhe toca quando identificamos nós mesmos e a resultante de nossas vidas. Por outro lado, neste caso, reflete a confiança do artista no compromisso e trabalho político da UBM que também comunga com os ideais da igualdade entre homens e mulheres e lutamos por uma sociedade justa e igualitária..

O que senhora achou da proposta deste trabalho?

Eline Jonas: Trata-se de um conteúdo em movimento - uma atitude/ação socializada que se multiplicará geometricamente por meio de centenas de olhares, mãos feministas e de setores sociais preocupados com a situação de violência , discriminação e preconceito em relação as mulheres. Oportunizará um público diversificando a interagir com sua mensagem por meio dos olhares e sentidos desde as diferentes Regiões do Brasil.

A nosso ver a arte possibilita a cada qual observá-la a partir
de seu lugar no mundo fazendo a leitura ou traduzindo
a partir de seus traços regionais a "criação" para seu cotidiano vivido e sonhado.

A UBM já desenvolve alguma ação aonde relacione Arte x Mulher?

Eline Jonas: A UBM atua no Brasil com cinco pontos de cultura envolvendo outras formas de expressão da arte - dança, coral, teatro.

Qual será o destino desta exposição? Já tem locais previstos para exposição? Quais os estados?

Eline Jonas: Neste pouco tempo, já fizemos alguns contatos com as Ubemistas dos Estados para esboçarem um plano em cada local para definirmos datas e quem estará responsável pela caravana cultural OUSADIA.

Qual o papel da arte para emancipação da mulher?


Eline Jonas: A arte nos envolve emocionalmente e nos incita a reflexões/ações sobre o mundo, a natureza e as relações sociais e de gênero, principalmente quando se trata de pessoas que suportam as reduzidas oportunidades, a dura vida da dupla jornada de trabalho, com salários mais baixos e como únicas responsáveis pelos cuidados e sobrevivência de suas famílias. Mas, que resistem a tipo de preconceito ou dificuldades colocadas por um mundo moldado pela ideologia machista, patriarcal fundada na propriedade privada e na naturalização da desigualdade social e de gênero, que valoriza o Ter e não o Ser. A arte e as manifestações culturais constituem em um importante instrumento que alimenta emoções, consciência sobre a realidade - o grito percebido pelo "olhar" - um quesito fantástico que contribui para nossa humanização, portanto para o desenvolver da condição humana.